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Existe uma natureza humana?

A decisão do Supremo Tribunal Federal, nessa semana, gerou uma jurisprudência que abre brechas muito perigosas na sociedade brasileira. Pela argumentação dos ministros da justiça, a partir de agora, todo tipo de relacionamento homossexual será considerado legitimamente “família”, com todos os direitos que um casamento convencional homem-mulher.

Só que o casamento homossexual nunca poderá arcar com os deveres de uma legítima e verdadeira família. Como é possível conceder determinados direitos a alguém que não tenha condições de cumprir com os deveres correspondentes a esses mesmos direitos? Dois homens podem usufruir do direito de adotar filhos, por exemplo, que serão registrados com dois pais. Mas jamais poderão cumprir com os deveres de uma mãe. E quem tem o direito de mudar o conceito mesmo de família? Quem tem o direito de dizer que uma criança pode perfeitamente crescer bem tendo dois pais ao invés de um pai e uma mãe? Estamos instituindo um tipo de família completamente atípica, contra tudo o que sempre existiu na natureza dos seres vivos do reino animal.

O papa Bento XVI, na entrevista que deu ao jornalista Peter Seewald e se transformou no livro “Luz do mundo”, observa que o problema de todas essas argumentações a favor do aborto, do casamento de homossexuais etc é que elas pressupõem que nós podemos mudar tudo, não há nada absolutamente que tenhamos herdado das gerações passadas e que deve necessariamente ser mantido, se assim o decidirmos. Afirma-se muito facilmente que não existe uma “natureza humana”, e que nós somos e fazemos absolutamente tudo o que decidirmos que é bom.

Quer dizer então que, se amanhã decidirmos que a vida humana é um risco para o planeta, podemos legitimar por lei a matança de populações? Será que esse poder todo que pretendemos ter não pode acabar gerando novos hitlers e, consequentemente, novos holocaustos nazistas?

Se não existe uma natureza humana, então não existe antropologia, e o homem não pode mesmo ser objeto de estudo da filosofia, o homem deixa efetivamente de ser “a medida de todas as coisas”. Se não existem leis inscritas na natureza, a não ser as da física e da química, então nós não somos “imagem e semelhança de Deus”; somos apenas aquilo que decidirmos ser em cada época, em cada moda do milênio. O triste é que o pano de fundo de tudo isso é a teoria da “morte de Deus”, o ateísmo institucionalizado, as ideias de Hawkins disseminadas sorrateiramente pela sociedade e contando com os aplausos de cristãos que apenas se definem como “modernos” e “abertos aos direitos humanos”.

 

Pe. Juliano Ribeiro Almeida

Sacerdote Católico da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

Comentários(2)

  1. Reply
    Banda Ariel says

    Concordo plenamente. A Família é cosntituida por um homem e uma mulher que assim geram seus filhos. Não é possível gerar um filho entre casais homossexuais. Se não é possível é por quê Deus consedeu somente a família homem e mulher para isso. Não podemos ir contra o querer de Deus. Cada vez mais o homem tentar destruir o conceito de família. A humanidade não sabe o que faz, pois se soubesse pediria perdão eternamente pelos seus erros. Deus tem de misericódia de nós. Mesmo assim deus é é o nosso Rei e pra aqueles de san consiência rezemos nos manteer na santidade.

  2. Reply
    Cristiano Mamede says

    Fico imaginando a criança que esse tipo de união possa adotar. Como ficará a cabeça de tal criança na escola por exemplo, quando seus amiguinhos lhe perguntar qual o nome da mãe… Pra quem ele vai levar presente no dia das mães se tem dois “pai”. Como será no futuro? Qual o conceito de familia o mesmo terá? Onde ficará a projeção correta do termo FAMILIA? Se essa moda pega, o futuro está comprometido, pois não terão mais uniões entre homem e mulher e dessa forma a raça humana caminha a passos largos para extinção! Sem mulheres gerando vidas em seus ventres não terá o amanhã, não terá renovação da espécie, não teremos jovens para o trabalho. Talvez os meus netos não terão a graça de ver uma mulher grávida participando com Deus do privilégio da criação.

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