“Hoje constatamos, infelizmente, que a grande maioria dos católicos foi apenas batizada, mas não evangelizada”, afirma o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer. Em um grande período da Igreja, segundo a história, nós evangelizamos pessoas que não conheciam nada da fé e que nem eram batizados e, a evangelização entrava nesse momento da vida do ser humano. Hoje, constatamos algo totalmente diferente, a maioria que se encontra no meio de nós que se dizem batizados e, por isso, se dizem cristão católico, não se encontra diferença alguma na maioria deles com relação àqueles que vivem uma vida desregrada e sem conversão.
A família já não é mais a grande incentivadora da vivência da fé por parte dos seus membros, na verdade, os nossos filhos serão aquilo que nós plantarmos no coração deles, por isso, se faz necessário voltar às tradições das famílias mais antigas que eram a prática da fé dentro de suas casas e dentro da Igreja para que os filhos entendam a necessidade de vivenciar as promessas do Batismo.
O Sacramento do Batismo tem sido ministrado, mas não tem sido fomentando pela família, e muitas vezes nem pela Igreja local, para que o batizado possa aprender viver a sua fé. Segundo Dom Odilo, “é como semear um campo e, depois, abandoná-lo a si mesmo; não dá para esperar muito fruto; é também como plantar um jardim e não zelar por ele: dá para esperar flor bonita e abundante? Dom Odilo explica que o batismo “é uma graça de Deus e a fé, um dom do Espírito Santo”; mas “a vivência da fé cristã precisa ser aprendida e supõe um processo contínuo, ao longo de todas as etapas da vida; tanto a criança precisa aprender a ser cristã, como a pessoa adulta, ou idosa”. “Hoje, mais do que evangelizar catecúmenos, precisamos começar a evangelizar a maioria dos já batizados”, reconhece o cardeal.
Na Comunidade Vida Nova, nós percebemos que no nosso Grupo de Oração, que consideramos um celeiro de vocação e uma promoção de uma experiência com Deus através de uma pregação querigmática, congrega em sua maioria pessoas que já receberam os Sacramentos de Batismo, Crisma, Eucaristia, que são os principais para uma iniciação cristã, mas que quando se convida para que eles possam colocar em prática através de uma vida apostolar a sua fé, obtemos respostas contrárias do que se espera de um cristão.
As pessoas contemporâneas não foram educadas na fé, elas estão sendo formadas pelos ensinos nas escolas, pelos “amigos”, pela cultura da sociedade local, pelos meios de comunicação que em suma não trazem nada a favor da nossa doutrina, vivemos em um tempo imediatista, cuja, a família não se tem tempo mais para rezar juntos, até as refeições cada um tem feito no seu horário, no seu momento, assim, criando um conceito contrário do catolicismo que é o individualismo.
“Em tudo isso, é bom ter presente que não se trata de um aprendizado meramente intelectual, embora esse aspecto também faça parte do processo, pois a fé também precisa ser conhecida com a inteligência. Mais que isso, porém, é um aprender existencial”, assinala o arcebispo.
Dom Odilo explica ainda que a vivência cristã “se expressa numa relação filial e familiar com Deus, nosso Pai; a iniciação à vida cristã será boa, se ajudar os fiéis a viverem como bons filhos e filhas de Deus”.
Outra “bela maneira de compreender a vida cristã” é a “amizade” com Cristo, já que a vida cristã “é expressão de um relacionamento familiar e íntimo com Deus e com Jesus Cristo, mediante o dom do Espírito Santo de Deus”.
“A formação do cristão adulto na fé é missão e trabalho nosso, e da Igreja: quem já é discípulo de Cristo, ajuda outros a serem discípulos também”, destaca o arcebispo.
Que Deus nos ajude a assumir a nossa vida de fé colocando em prática a cada dia mais através de testemunho e de vida apostolar intensa para que possamos dar respostas diferentes às urgências desses novos tempos.