Tudo vai bem, quando a tranqüilidade torna-se uma constante. Não há surpresas desagradáveis, a rotina que tornou a sua vida comunitária não exige muito da sua pessoa. Contudo, apesar de acreditar que está em uma situação confortável, você não imagina que a chamada zona de conforto em nada é benéfica à sua vida de fé e pode comprometer seriamente o desenvolvimento de sua ascese espiritual.
Nada há de errado em querer sentir-se seguro e confortável, mas o meio comunitário exige cada vez mais que os consagrados adquiram novas experiências com Deus, sejam na formação ou no apostolado. Afinal, a vida comunitária é um constante renovar e quem não acompanha o “novo” de Deus corre o risco de regredir na espiritualidade e, como conseqüência a crise de vocação. Abaixo, algumas alternativas e motivos para que os consagrados fiquem bem longe da zona de conforto e digam "NÃO" à acomodação.
1- Em um mundo em que as informações circulam em uma velocidade cada mais acentuada, é preciso estar "vacinado" das novidades que surgem na cultura imediatista que estamos inseridos.
2- A zona de conforto tem um aliado "invisível": a falta de vida fraterna numa postura de solitarismo. É fundamental ter um relacionamento com os demais consagrados.
3- Com os constantes processos de mudança em uma comunidade que se encontra na etapa de sua fundação, ou seja, com o fundador presente em vida, os consagrados deparam-se com inovações e essas, por sua vez, pedem mais flexibilidade. Quem insiste em se manter na zona de conforto, certamente sentirá um impacto maior ao ter que lidar com o novo, o inesperado. Isso, muitas vezes, leva o consagrado ao desgaste ao ponto de querer desligar-se da comunidade.
4- A zona de conforto é um caminho perigoso, pois com o passar do tempo o consagrado assimila a rotina de tal forma, que não encontra motivação para exercer suas atividades apostolares. Muitos deixam de valorizar até o próprio carisma com gestos de extrema ingratidão.
5- Quem senta na cadeira e espera as coisas acontecerem, geralmente observa que outros estão em escala de ascensão na vida de fé. Isso pode provocar inveja, sentimentos de rejeição em relação à liderança e à comunidade. Esses sentimentos não agregam valor algum à vocação.
6- Quando o consagrado cai na armadilha da falta de motivação - em decorrência de se estagnar na zona de conforto - o estresse pode aparecer e junto com ele sintomas que afetam tanto o lado emocional quanto o orgânico. Baixa auto-estima, enxaquecas, alteração na pressão arterial, problemas gástricos, doenças psicossomáticas causadas por estas frustrações e decepções pessoais.
7- Para quem não deseja cair nas armadilhas e nas conseqüências que a zona de conforto pode proporcionar, uma alternativa é abrir espaço para a oxigenação, a troca de experiência, partilha com outros consagrados que podem estar ao seu lado. Lembre-se que você sempre pode ensinar e também aprender com seus irmãos.
8- Muitos homens e mulheres chegam ao período da idade mais avançada na vida comunitária e poderá vir a sentir que algo a mais poderia ter sido feito! Que a vida "passou" e nada fez de valor. Isso pode ocorrer porque a pessoa não desenvolveu o potencial de sua vocação. Não é "do nada" que os casos de depressão acontecem quando o consagrado ingressa nessa nova etapa da vida
9- Os consagrados que optam por ficar longe da zona de conforto vão em busca do desenvolvimento de novas experiências com Deus. Eles não esperam apenas que a comunidade ofereça essas experiências. Eles criam oportunidades e aumentam as chances de uma vida fervorosa na fé.
10- Se você reconhece que está na zona de conforto, esse é o primeiro passo para sair dela. Um bom começo é ter uma conversa com seu formador pessoal e partilhar com ele. Mostre seu interesse em querer evoluir. Pergunte o que pode ser feito para o desenvolvimento maduro da sua vocação. Essa partilha pode gerar surpresas agradáveis e bons frutos para sua consagração.