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“Lightização” da religião
José Eduardo Arêas Caetano
25-09-2009
   
"...se crê sem pertencer e se pertence sem crer"

Segundo o Prof. Joan-Andreu Rocha Scarpetta, vice-decano de jornalismo da Universidade Abat Oliba CEU, de Barcelona, a globalização produziu o desaparecimento das fronteiras religiosas e as religiões mundiais hoje estão presentes em todos os lugares. As formas tradicionais religiosas de adesão estão mudando e se passa, em alguns contextos, de uma experiência religiosa organizada a uma forma de fé e de espiritualidade personalizada, o que ele chama de “lightização” da religião, por seu aspecto “light”, superficial.

Hoje se torna mais evidente que se crê sem pertencer e se pertence sem crer: a maioria das religiões enfrenta a polarização de ter pessoas espirituais que não pertencem a tradições religiosas e membros culturais que não são crentes.

A contribuição do Prof. Rocha nos faz olhar para dentro da nossa religião: Igreja Católica Apostólica Romana e, indo mais fundo vamos voltar a nossa realidade brasileira e por que não focarmos na nossa realidade Diocesana ou melhor nossa realidade comunitária para enxergarmos essa informação como verídica dentro do nosso perímetro pastoral-espiritual.

Aos Domingos constatamos as nossas Paróquias, graças a Deus, com um número bom de “fiéis”. Na Comunidade, apesar da variação dos números, nós temos um número bom de participantes em nossos eventos e Grupo de Oração, mas o que mais preocupa-nos é a pergunta: Cadê o resultado da oração, da Eucaristia, da experiência que a Missa, o Grupo de Oração faz em nossas vidas?

A resposta ao questionamento é exatamente a informação do Prof. Rocha. Hoje, estamos cheios de “fiéis Lights” nas nossas comunidades, na nossa Igreja. Os católicos estão cada vez mais participando sem comprometimento com a Igreja.

A nossa vocação que recebemos de Deus quando fomos batizados esta ficando no esquecimento. O batismo, mais do que o sacramento da iniciação cristã, se tornou apenas um fato social, uma tradição, sem nenhuma incidência e sem conseqüências para quem o recebe.

Hoje, porém, numa visão mais crítica, começa-se a perceber que, por essa e por outras razões, o batismo tornou-se o sacramento do esquecimento, do descompromisso. "O mal - diziam há muitos anos os bispos do Brasil - não é haver muita gente batizada. Isso seria um bem. O mal é que muitos são batizados sem a consciência, própria ou por parte dos pais, da tríplice dimensão do batismo". Se, na Igreja primitiva, se batizavam pessoas convertidas, na atual situação, somos obrigados a converter pessoas batizadas.

"O cristão, pelo batismo, é vocacionado, chamado pelo Pai a ser ouvinte da Palavra. Adotado como filho bem-amado e justificado dos seus pecados, é incorporado a Jesus Cristo. Ungido pelo Espírito para a missão, é inserido na Igreja". (Puebla 852).

Nós precisamos não somente superar a tentação de achar que vocação diz respeito exclusivamente a padres e freiras. Precisamos ir mais além, entendendo que toda vocação é sempre para a missão. Torna-se indispensável redescobrir a missionariedade da Igreja e a consciência missionária. Não basta perguntar-se o que é preciso fazer. É mais urgente a pergunta sobre quem vai fazer. Tanto na comunidade como nos diversos espaços da Igreja, é indispensável criar a consciência missionária. Nesse trabalho de conscientização, devem-se abrir os horizontes dos âmbitos da missão, sem esquecer a missão universal "ad gentes", além das fronteiras da Igreja local, diocesana, ou dos "muros" da própria comunidade ou instituição.

Termino com a reflexão que nos levará a sair de nós mesmo, do nosso comodismo para, enfim, tomarmos uma postura de homens e mulheres comprometidos com o Evangelho.

Eu sou batizado? Então, devo ser missionário. Se eu não sou missionário, então não sou cristão" (Dom Pedro Casaldáliga).
 
 
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José Eduardo Arêas Caetano
Membro de Aliança da Comunidade Católica Vida Nova.
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